O "soft power" chinês

Atualizado: Jul 6

Autor: Prof. Dr. Cezar Roedel


Série Desafios Globais: China (Parte 1). Na coluna desta semana iremos explorar a expansão chinesa a partir da diplomacia, ou do que se convencionou denominar como o “soft power” ou poder brando, em detrimento ao “hard power”. O soft power é um termo que designa a forma como um país se projeta a partir de estratégias sutis, como a cultura, a educação, a imagem (inclusive a partir de estratégias de serviços secretos). O hard power é termo que denomina a política internacional a partir do poder bélico dos países (esse quesito iremos analisar na coluna sobre a ambição militar chinesa). Ocorre que a China vem desenvolvendo, há décadas, um programa para, a partir de ferramentas sutis, criar uma espécie de encantamentos, principalmente em países em desenvolvimento, com vistas a estabelecer uma dependência de Beijing, de países africanos e latino-americanos, particularmente.

A geopolítica das vacinas

O projeto da vacina chinesa é um bom exemplo de como a China vai gerando dependência em países em desenvolvimento. No caso africano, o país chegou a distribuir vacinas de graça (para passar a imagem de país humanitário), conquanto, há uma série de interesses de Beijing em projetos de infraestrutura no país. A aproximação com países da América Latina também segue uma lógica similar. Para que o projeto do 5G chinês possa ser promissor na região, os vínculos são importantes, inclinando sutilmente os países pela adesão à tecnologia chinesa.

Biden e o pacote de 200 bilhões de dólares

Recentemente, o presidente americano, Joe Biden, anunciou um pacote ambicioso (com apoio esmagador da oposição) para conter o avanço tecnológico chinês. Sempre alertamos sobre este choque de dois ecossistemas tecnológicos, conhecido como a Guerra Fria Tecnológica. O Ato de Inovação e Competição é um documento que prevê, por altos investimentos, fazer frente ao avanço chinês, reforçando a indústria nacional americana. O movimento é histórico e simbólico.

A imagem que a China quer passar

Em que pese ainda a incógnita sobre a real origem do coronavírus, se animal ou humana, a China, de qualquer modo, deverá ser responsabilizada pela demora em passar os dados sobre a emergência do vírus no país aos organismos internacionais competentes. Mesmo assim, recentemente, Xi Jinping divulgou que o seu plano é o de passar ao mundo uma imagem chinesa mais amável, para se buscar amigos no mundo, mesmo pesando a má gestão da pandemia, a polêmica dos direitos humanos e até mesmo o regime autoritário do partido comunista chinês. Para isso, as estratégias de soft power são imperiosas, principalmente a sedução de países do terceiro mundo, ávidos por financiamentos e projetos de infraestrutura. Assim, a China vai consolidando o seu espaço, como potência sedutora aos países em desenvolvimento, enquanto os EUA começam a criar uma nova política de contenção às pretensões de Beijing.








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