#SOSCuba - um grito de sobrevivência


Há décadas sem qualquer tipo de protestos ou manifestações, a ditadura cubana sentiu, nos últimos dias, a pressão social contra o retrógrado modelo da família Castro, um regime ditatorial que somente trouxe tragédia, miséria e fome aos cubanos. A internet e as redes sociais (ao estilo das primaveras) foram um gatilho importante para a organização dos protestantes, cujas imagens emblemáticas de um povo oprimido circulam globalmente, embaladas pela hashtag SOSCuba, trazendo uma projeção importante aos movimentos contrários ao regime. Enquanto a família Castro e o atual Presidente, Miguel Díaz-Canel, culpam o embargo americano (e toda a sorte de fenômenos exógenos) na tentativa de afastar a sua culpa direta e absoluta, Cuba atravessa os seus piores dias: um Estado praticamente falido, escassez de remédios, alimentos e um momento conturbado da pandemia. O grito dos cubanos, antes mesmo de um grito de liberdade, foi de sobrevivência. A situação chegou no limite, criando uma conjuntura embaraçosa para o que virá pela frente.


Internet

Na sequência dos protestos, a ditadura providenciou prontamente o bloqueio da internet, ferramenta poderosa para unir os cubanos neste momento. Cabe ressaltar que toda a infraestrutura de internet da ilha foi vendida e instalada por empresas chinesas. Ao menos, cerca de três relatórios internacionais apontam a possível ingerência chinesa na internet cubana, com o que denominam de “web filtering”, forma de bloquear o acesso a determinados conteúdos.


Reações Internacionais

As reações dos principais líderes foram rápidas. Enquanto o mundo democrático apoiava os relevantes protestos, como os EUA, as ditaduras e autocracias reclamavam hipoteticamente de uma ingerência americana. Enquanto isso, o líder cubano buscava responsabilizar o seu povo, que no seu imaginário, estava seguindo ordens dos EUA, ou seja, a narrativa comum.


Os próximos dias

Duas questões estão fervilhando nos bastidores desta inflexão cubana. A primeira é linha tênue entre as Forças Armadas de Cuba e a relação com Miguel Díaz-Canel, qual seja, até que ponto elas obedecerão a um líder que não faz parte da família Castro ou, em sentido contrário, até que ponto Díaz-Canel buscará demonstrar ainda mais força de repressão, para não passar um sinal de fragilidade e perda de comando. Ambos os cenários são delicados. Outra questão que irá pesar, principalmente na condução de Biden, é a presença do forte lobby de cubanos-americanos que residem na Flórida, um importante Estado nas equações eleitorais. A pressão do referido grupo é que o governo americano adote alguma ação prática, em apoio aos cubanos residentes na ilha, algum tipo de ingerência que vise o fim da ditadura cubana, um cenário ainda distante, ao menos no momento. Os próximos dias serão decisivos. Cuba está revivendo o seu passado simbólico na época da Guerra Fria, com a diferença que a tensão geopolítica atual se dá entre EUA e China. O apoio internacional aos cubanos e ao seu grito de sobrevivência tem reverberado mundialmente, mas ainda restam incertos se serão suficientes para alterar a conjuntura da ilha, enquanto a internet é suprimida e pouco se sabe do andamento de novos protestos e de como a ditadura tem reprimido o seu povo.




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